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AVALIAÇÃO FÍSICA: REVENDO PARADIGMAS

AVALIAÇÃO FÍSICA: REVENDO PARADIGMAS

Fala galera, tudo bem? O assunto agora é avaliação. Será que já não chegou a hora de repensarmos esse processo?

Veja aí se pra você esse contexto faz sentido: um aluno contrata o serviço de uma academia com objetivo de emagrecer. Observa as opções, pondera, e escolhe a que ele achou mais adequada. Para que o professor possa decidir como fazer o SEU trabalho e entregar o serviço OFERECIDO pela academia, é cobrada uma avaliação inicial.

Hã, como assim? Se a academia diz que pode ajudar o aluno a emagrecer, não é ela que precisa ter e saber utilizar as ferramentas para tal processo?

Avaliação física inicial é parte do processo de entrega do serviço que a academia está ofertando ao cliente. Isso não é responsabilidade do aluno, é da academia. E ainda temos algumas bizarrices ainda piores, como academias que conseguem prescrever atividades sem que se tenha a noção de quem é que está ali, pois a avaliação inicial não é obrigatória. Isso é sério!

E não acaba por aí, são cobradas do aluno as avaliações periódicas, ou seja, a academia cobra pra conseguir provar que entregou o que foi prometido. Novamente, só eu que acho isso bizarro? Bom, mas o que fazer?

Repensando as avaliações

Primeiramente, qualquer processo de avaliação exige recursos, seja de equipamentos, seja de tempo. E para oferecer esse serviço como parte integrante de um processo de treinamento esse custo deve ser ponderado. É fácil? Não. É possível? Sem dúvida. Vou te dar 3 dicas importantes para desenvolver uma avaliação eficiente e perceber que o custo não é necessariamente um empecilho:

1) Opte por avaliações rápidas, precisas e seguras, que não exijam nem espaços nem profissionais específicos, processos que qualquer professor com um mínimo de capacitação possa conduzir.

2) Reduza as medidas para apenas aquelas que são fundamentais para que o processo de prescrição possa ser elaborado. Avaliação de força máxima? Avaliação postural? Teste de limiar anaeróbico? De verdade, você já parou pra pensar qual a real utilidade disso no fitness, onde 99,9% das pessoas não estão nem perto de treinar visando performance? Lembre-se, quanto mais elaborado e mais demorado o processo, mais caro ele se torna.

3) E finalmente, torne a avaliação um processo diário, que faz parte da rotina da academia, e não um “evento” esporádico. Avaliar é tão importante quanto prescrever. Na verdade, um é dependente do outro. Mostre ao aluno que a regularidade das avaliações garante um ajuste fino do processo de prescrição, e isso gera maior certeza de se atingir os objetivos desejados.

Transformando a ideia em prática

Imagine uma academia com 1000 alunos e que decidiu implementar uma avaliação de composição corporal com frequência média de 8 semanas. Contando com a avaliação inicial de todos, teremos 6 avaliações anuais de cada aluno, ou seja, 6000 avaliações no ano.

Nesse caso, o ideal é apostar num equipamento de bioimpedância, principalmente se o objetivo mais comum dos alunos de sua academia é emagrecimento e/ou hipertrofia. E antes que alguém torça o nariz, existem hoje sistemas tão (ou até mais) precisos quanto qualquer outro modelo de avaliação antropométrica. Um equipamento assim custa ao redor de R$17.000,00.

Esse equipamento permite realizar avaliações muito rapidamente (poucos segundos). Mas vamos considerar que cada uma delas levará 5 minutos. Assim, podem ser realizadas 12 avaliações por hora, aproximadamente 120 por dia, 2400 por mês (considerando 20 dias úteis por mês) ou 28.800 por ano. É só pra ilustrar que haverá com folga na agenda para todo mundo.

Se você pensar em um professor de musculação que custa R$24/hora, temos um custo de “pessoal” de R$2,00 por avaliação. R$2,00!!!! Mas tem o custo da balança... bem, R$17.000,00 divididos pelas 6000 avaliações anuais custam aproximadamente R$2,83 por avaliação, ou seja, um custo final de menos de R$5,00 por avaliação.

Ah, e lembre-se que cada aluno só faz uma avaliação a cada dois meses (8 semanas), o que significa que pra você não ter prejuízo nesse processo, precisa aumentar o valor do ticket médio em R$2,50 por mês. E ao final de 1 ano, a balança está paga, e a avaliação passa a custar metade do valor.

Três perguntas para refletir

Quanto seu ticket médio pode ser valorizado caso você ofereça regularmente uma avaliação que, se realizada em uma clínica, custa pelo menos uns R$150,00?

Quanto o aluno vai valorizar o seu serviço a partir do momento que ele puder ver de forma clara, direta e regular os impactos da academia sobre seu corpo?

Quanto sua prescrição vai melhorar a partir do momento que ajustes mais precisos e diretos possam ser implementados?

Pensa nisso. Se precisar de ajuda, é só entrar em contato. Grande abraço!

Interação Fitness
Ricardo Martins de Souza
Ricardo Martins de Souza Seguir

Dr. em Educação Física, atua a mais de 20 anos no mercado. Ministra disciplinas de Fisio. Exercício e Biomecânica para graduação e pós na Ed. Física, Fisioterapia e Nutrição, além de ser proprietário de empresa de consultoria científica no setor.

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