[ editar artigo]

CRONOTIPIA: se você é personal, precisa saber identificar isso no seu aluno!

CRONOTIPIA: se você é personal, precisa saber identificar isso no seu aluno!

Você já ouviu o termo cronotipo? E ritmo circadiano? Jet-lag, melatonina... não? Pois bem, acho que temos um problema.

Vamos ao básico: grande parte do que somos e fazemos é definido por ritmos sociais, aqueles determinados por nosso relógio. Nossa hora de acordar, de almoçar, de trabalhar, de dormir. A grande maioria das pessoas faz isso em momentos pré-determinados pois temos uma rotina e ela muitas vezes depende da rotina de outras pessoas e usamos o tempo (horário) para equalizar isso.

Entretanto, por mais organizado e sistematizado que você seja, algumas coisas que não são determinadas pelo relógio e sim por ritmos biológicos.

Alguns desses ritmos são chamados de circadianos (circa = cerca de + diem = dia), ou seja, ritmos que se repetem em um intervalo muito próximo a 24hrs. São coisas que acontecem todos os dias, mais ou menos da mesma forma, nos mesmos instantes, como a secreção de alguns hormônios.

Dentre esses hormônios existe um muito especial, a melatonina. A melatonina é produzida na glândula pineal a partir do aminoácido triptofano, e dentre suas funções, influencia o nosso ritmo de sono/vigília (dormir e ficar acordado).

A melatonina não é secretada de forma linear ao longo do dia. Ela possui um pico de secreção e esse pico acaba influenciando o momento em que você dorme, e por consequência também, aquele em que você acaba despertando.

E isso gera dentre as pessoas cronotipo específicos.

Resultado de imagem para SECREÇÃO DE MELATONINA

Bagunça em nosso ritmo circadiano

É tão verdade que existe um ritmo interno e que ele determina em grande parte o que somos e fazemos, que em alguns momentos conseguimos ver o relógio brigando com ele. Às vezes ele vence, às vezes não.

Vamos a dois exemplos:

Você já precisou viajar de avião e ir para outro lugar onde o fuso horário era de pelo menos umas 4h-5h de diferença em relação ao que você vivencia normalmente? Você percebeu que nos primeiros dias a sensação é de confusão?

Imagina que você vai até o Jaspão e que a viagem dura 12h, ok? Você sai daqui ao meio-dia, viaja por 12h e chega lá ao meio-dia do dia seguinte!

E agora? Internamente seu corpo diz que está na hora de dormir, de descansar (até porque seu relógio biológico diz que é meia-noite). Mas a luminosidade, os cheiros, os ruídos e todo o resto te dizem que é hora de ficar acordado.

O nome disso é jet-lag, algo como um atraso a jato. Isso começou a ficar comum após a popularização das viagens de avião e com a possibilidade de mudanças bruscas de fuso horário.

Isso causa diferentes problemas desde leve desconforto e insônia até grandes graus de irritabilidade e perda de performance física. Tudo depende da capacidade do individuo de se adaptar ao novo contexto.

Em geral, de 3 a 7 dias são suficientes para se adaptar ao novo fuso horário.

É por isso que algumas equipes que vão disputar competições em outros países, onde o fuso horário é muito distinto, fazem a viagem em duas etapas. Com uma parada de alguns dias no meio do caminho. Assim o impacto da mudança de horário acaba sendo menor, e a perda de desempenho também.

Resultado de imagem para sleep on sport

Tipos e características dos cronotipo

Bom, existem diferentes classificações com autores defendendo formas distintas de identificar os cronotipos. Entretanto, a forma proposta por Horne e Ostberg (1976) me parecem bem interessantes.

Após um teste simples você gera uma pontuação que categoriza as pessoas em 5 diferentes cronotipos.

O “matutino típico” é aquela pessoa com uma secreção bem precoce de melatonina, que por consequência acaba se sentindo confortável ao dormir muito cedo, e também acordar muito cedo. Não é incomum vermos esse indivíduo se sentindo apto para realizar atividades as 5h30, 6h00 da manhã sem qualquer tipo de dificuldade. Segundo os autores, apenas 10 a 12% da população apresentam tal característica.

O “moderadamente matutino” tem uma predisposição ao período da manhã, mas não tão cedo quanto o matutino típico. Ele está mais disposto antes do horário do almoço, e a partir do meio da tarde essa disposição vai diminuindo.

O “indiferente” é o tipo mais comum. É aquele que não se identifica bem com os extremos (muito cedo ou muito tarde), mas consegue se adaptar muito bem a mudanças. É o tipo de pessoa que teria mais facilidades em trabalhar em empregos que exigem diferentes turnos de trabalho. É o perfil mais resiliente.

O “moderadamente vespertino” se mostra mais disposto do final da tarde ao início da noite. É a pessoa que se matricula em um curso noturno e aproveita muito bem esse horário para estudar.

O “vespertino típico” é o extremo para o outro lado. Com secreção de melatonina bem tardia, se identifica em trabalhar de madrugada, onde acaba produzindo melhor. Vai ser muuuuuuito complicado tentar pedir para que ele produza bem nas primeiras horas do dia.

Cronotipo e atividade física

Você já deve ter percebido que identificar o seu cronotipo ou de seu aluno, pode ser uma ferramenta bem interessante.

Isso pode ajustar melhor o horário do treino com o ritmo biológico do indivíduo, fazendo com que a sensação de conforto durante o esforço e os resultados sejam até maiores.

Tentar colocar um aluno com classificação matutina (típico ou moderado) para treinar após o horário do trabalho, no início da noite, é insistir em trabalhar com a bateria quase vazia.

O contrário, convencer um vespertino a acordar bem cedo para fazer força, é pedir para ter um aluno que desiste já no primeiro mês de contrato.

Identificar o cronotipo não é uma tarefa difícil, e mesmo que o teste não apresente 100% de precisão, dá ao professor uma ideia muito boa de qual o melhor período do dia para prescrever atividades para esse ou aquele aluno.

Eu vou deixar aqui o link do questionário, e você pode acessar e realizar o teste quantas vezes quiser.

Se você tiver dúvidas, é só me achar no Instagram  ou me mandar uma mensagem aqui que eu respondo rapidinho.

Bons treinos!

 

 

 

Interação Fitness
Ricardo Martins de Souza
Ricardo Martins de Souza Seguir

Dr. em Educação Física, atua há mais de 20 anos no mercado. Ministra disciplinas de Fisio. Exercício e Biomecânica para graduação e pós na Ed. Física, Fisioterapia e Nutrição, além de ser proprietário de empresa de consultoria científica no setor.

Ler conteúdo completo
Indicados para você