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DINHEIRO OU EXERCÍCIOS: NO QUE APOSTAR PARA SER FELIZ E SAUDÁVEL?

DINHEIRO OU EXERCÍCIOS: NO QUE APOSTAR PARA SER FELIZ E SAUDÁVEL?

Existem algumas associações entre a prática de exercícios físicos, a saúde e o bem-estar que já estão bem consolidadas. A melhora da força e resistência muscular, da aptidão cardiorrespiratória, do equilíbrio e da funcionalidade são apenas alguns dos diversos aspectos que podem ser citados.

Entretanto, podemos expandir essas relações para questões bem mais abrangentes, como aquelas que tratam da saúde e da percepção de bem-estar e disposição de maneiras mais gerais. Pelo menos, foi isso o que um estudo publicado por pesquisadores das universidades de Yale e Oxford tentou explorar.

Quem foi observado?

Os pesquisadores tiveram acesso a dados de mais de 1,2 milhões de pessoas, com mais de 18 anos, que preencheram um questionário aplicado pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos para a identificação de fatores para a prevenção de comportamento de risco à saúde.

Basicamente, o estudo procurou identificar uma correlação entre o número de dias, no último mês, que as pessoas relatavam uma indisposição ou baixa sensação de bem-estar e o nível, tipo e intensidade de exercícios realizados.

Neste estudo ainda se considerou uma série de variáveis importantes, como idade, raça, sexo, nível de educação, IMC, nível de saúde relatado, entre outros.

E o que foi descoberto?

Algumas coisas muito interessantes. Primeiro, que as pessoas que praticam atividades regulares têm 43% menos dias com indisposição do que as que são sedentárias. E isso pode se tornar uma bola de neve que se agravará sistematicamente. Quanto mais dias com indisposição a pessoa tem, menos atividade física ela pratica... o que leva a mais dias indisposta... e a menos atividade física... e assim vai...

Outra, que algumas atividades parecem gerar maior disposição, dentre elas os autores destacam os esportes coletivos (22,3% menos indisposição), ciclismo (21,6%) e atividades aeróbicas e atividades em academias (20,1%). É legal observar essa informação, pois algumas das atividades com melhores resultados, envolvem um baixíssimo custo e apresentam grande facilidade para sua realização, como a corrida de rua e o bate bola na pracinha.

Mais uma informação legal: o MAIS nem sempre significa MELHOR. Pessoas que faziam atividades que duravam ao redor de 45 minutos, de 3 a 5 vezes por semana, foram as que apresentaram os maiores relatos de bem-estar. Não é preciso morar na academia, muito menos se exercitar todos os dias.

O dinheiro consegue compensar o sedentarismo?

Essa é a informação mais curiosa do estudo. Uma das observações que os autores realizaram foi a respeito de indivíduos que relatavam uma maior disposição, mas que eram sedentários. Os resultados apontaram que pessoas sedentárias que apresentavam o mesmo nível de bem-estar que os ativos, ganhavam em média US$25.000,00 a mais por ano, algo ao redor de R$100.000,00. Literalmente, é necessário um valor enorme de dinheiro para compensar a falta de atividade física.

E isso só considerou o bem-estar, não a saúde como um todo. É claro que esse poder o dinheiro não tem. Por maior que seja a quantia.

E aí, que tipo de reflexão você vai passar aos seus alunos? Vale a pena perder tempo trabalhando e ganhando mais, só para ter uma maior sensação de bem-estar, abrindo mão da saúde? Ou que eles devem apostar em reservar 45 minutos, 3 vezes por semana, para ser uma pessoa mais feliz e mais saudável?

Cada um faz sua escolha.

Grande abraço.

Interação Fitness
Ricardo Martins de Souza
Ricardo Martins de Souza Seguir

Dr. em Educação Física, atua há mais de 20 anos no mercado. Ministra disciplinas de Fisio. Exercício e Biomecânica para graduação e pós na Ed. Física, Fisioterapia e Nutrição, além de ser proprietário de empresa de consultoria científica no setor.

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