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EXERCÍCIO E COVID-19: O QUE EU POSSO E O QUE EU NÃO POSSO FAZER

EXERCÍCIO E COVID-19: O QUE EU POSSO E O QUE EU NÃO POSSO FAZER

Fala galera, tudo bem? Bom, nesse momento onde a gente parece ter nossa saúde colocada em prova em razão do surto com COVID-19, é importante que os profissionais que possam contribuir com informações de credibilidade o façam, em diferentes áreas, e na educação física não poderia ser diferente.

Gostaria então de dividir com vocês um pouquinho sobre o impacto que a atividade física pode ter sobre a sua saúde e a possibilidade de reduzir os efeitos dessa epidemia.

É possível evitar o contágio?

Olha, possível é, mas também muito improvável. A capacidade do vírus de passar de uma pessoa para a outra é muito alta, bastaria estar presente em um mesmo ambiente que o vírus poderia se instalar em você.

As recomendações de maiores cuidados com a higiene, atenção aos sintomas que poderiam indicar infecção e a redução de aglomerações de pessoas, tem a intenção de reduzir a velocidade do contágio. Isso da tempo para que o sistema de saúde possa cuidar de alguns pacientes antes de que novos apareçam.

O desenho abaixo ajuda a explicar bem a situação:

A linha pontilhada identifica o limite do sistema de saúde em atender pacientes. A curva azul, a transmissão fora de controle, caso medidas de contenção não sejam tomadas. Percebam a quantidade de pessoas que ficariam sem assistência, e como isso se provocaria um enorme número de mortes. Foi o que aconteceu na China e, posteriormente, na Itália.

Em vermelho, a curva caso cuidados sejam tomados. Percebam que a quantidade de pessoas infectadas não muda, mas o número de casos vai aumentando de forma mais lenta. Isso permite que o sistema tenha mais condição de atender a todos.

E o exercício pode ajudar?

Sim. Pessoas que fazem atividades físicas de forma regular podem ser beneficiadas, já que ao longo do tempo seu sistema imunológico ficará mais fortalecido. Entretanto, da mesma forma que o exercício pode ajudar no desenvolvimento desse sistema, dependendo da intensidade e duração do esforço, o sistema imune pode ser suprimido.

Exercício de grande intensidade, grande volume ou atividades as quais você não está acostumado a realizar, acabam gerando um estresse muito grande, o que desloca muito da capacidade de nosso sistema de defesa para recuperar o sistema muscular e cardiovascular.

Estudos com modelos animais demostraram que o nível de mortalidade de ratos infectados com o vírus influenza foi o mesmo nos sedentários e naqueles que se exercitavam muito (~2,5h/dia), enquanto os ratos moderadamente ativos, tiveram um aumento significativo na sobrevida.

Em idosos, os efeitos colaterais da vacina contra a gripe e o número de infectados naturalmente pelo vírus, nos meses de maior acometimento da doença, foram significativamente menores naqueles que se exercitavam, mas com moderação.

Nesse momento, onde estamos muito expostos a um agente externo bastante perigoso, não é prudente sobrecarregar o sistema imunológico com tarefas que poderiam ser evitadas, por isso, mantenha-se ativo, mas escolha bem as atividades.

Que tipos de exercícios eu posso fazer?

Qualquer tipo. E parece não haver problema direto com uma modalidade específica, e sim com a forma com que ela é realizada.

Se você é da corrida, pode correr. Se você é da musculação, pode treinar força. Se você é do Yoga, do CrossFit, da ginástica, pode treinar sem nenhum problema. Mas não exagere nas cargas.

Existe uma escala muito simples que pode ajudar a todos nesse momento, se chama escala de Percepção de Esforço Subjetivo, ou apenas PSE. Normalmente, ela vai de 1 a 10, onde 1 representa um esforço mínimo e 10 o maior esforço que você conseguiria realizar em um determinado exercício.

Ninguém passa do 7, ok? Nesse momento, os exercícios precisam se manter na zona laranja, um nível de esforço considerado moderado, e que de forma alguma vai sobrecarregar seu sistema de defesa.

Como eu posso organizar minhas sessões?

Como a maioria das pessoas vai ficar em casa, e por um bom tempo, é importante organizarmos nossas rotinas de exercício de uma forma um pouco diferente.

Normalmente nós separamos um período único, um pouco antes ou depois de nossos horários de trabalho, pra conseguirmos executar toda nossa atividade física diária.

Isso é legal, poupa tempo e nos mantem ativos.

Entretanto, nesse momento temos uma maior ociosidade e confinamento, que aumenta a ansiedade e o estresse, e ajustar o treino a isso é fundamental.

Uma forma bacana é trabalhar com “split-routines” ou treinos divididos. Ao invés de você concentrar toda a sua atividade em um período único de 50-60min, dividida ela ao longo do dia.

Faça uma caminhada de 10-15min pela manhã, alguns alongamentos por 15min a tarde, e uma flexões e abdominais a noite. Isso ocupa melhor seu tempo, sua cabeça, e você se mantém saudável e disposto para enfrentar essa barra.

Se eu estiver com algum sintoma de doença?

Eu acredito que você já deva ter ficado com um leve resfriado alguma vez, e isso não te impediu de treinar, correto? Provavelmente você deu uma aliviada nos treinos, pegou menos pesado, e em poucos dias já estava novo outra vez.

A recomendação continua a mesma.

Se você tiver sintomas leves de algo parecido com um resfriado, provavelmente seja isso. E você pode (e deve) se manter ativo, mas com algo mais leve.

Não é hora de bater um recorde. E hora de manter o organismo funcionando.

Agora, se os sintomas forem mais intensos, com dor de cabeça, febre, dores pelo corpo ou dificuldade de respirar, é o momento de interromper tudo e procurar assistência médica. Também nada diferente do que você já faria em outras situações.

Se você gosta do assunto e quer mais informações sobre o tema, tô colocando aqui embaixo dois links que podem ser extremamente úteis nesse momento.

O primeiro destaca uma entrevista realizada com o professor Dr. Jeffrey A. Woods, pesquisador sobre interações do exercício e sistema imune. O segundo, é do Colégio Americano de Medicina do Esporte, sobre como se exercitar durante esse período de expansão do contágio pelo COVID-19. Vale a pena a leitura dos dois.

E se você tiver dúvidas como sobre treinar, o que pode ou não ser feito, coloca aí nos comentários que eu respondo pra você.

Grande abraço, bons treinos e muita calma (e álcool gel, rsrsrs)

Entrevista Dr. Jeffrey A. Woods

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Interação Fitness
Ricardo Martins de Souza
Ricardo Martins de Souza Seguir

Dr. em Educação Física, atua há mais de 20 anos no mercado. Ministra disciplinas de Fisio. Exercício e Biomecânica para graduação e pós na Ed. Física, Fisioterapia e Nutrição, além de ser proprietário de empresa de consultoria científica no setor.

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