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SEM HIPOCRISIA: TOMAR ESTEROIDES DÁ MAIS RESULTADO DO QUE TREINAR!

SEM HIPOCRISIA: TOMAR ESTEROIDES DÁ MAIS RESULTADO DO QUE TREINAR!

Esse é um assunto polêmico, e que desperta além da discussão, a paixão dos praticantes de musculação – e é claro, de quem usa tais “recursos”.

Mas deixando a sua filosofia e opinião pessoal um pouco de lado, e observando apenas o que temos de dados concretos, qual é o poder de hormônios esteróides em incentivar a hipertrofia muscular?

É preciso treinar para que se tenha hipertrofia?

A resposta é um sonoro NÃO. Mas calma, não estou falando que sua massa muscular vai aparecer assim de graça. O que estou dizendo é que, em diversas condições, os estímulos não precisam vir do exercício. Quer um exemplo? Vamos lá:

Qual é a fase da vida em que se verifica a maior hipertrofia muscular? Na adolescência, quando se começa a praticar exercícios? Não. Na idade adulta, quando iniciam os treinamentos com pesos e as dietas? Não também. É na infância, na verdade no primeiro ano após o nascimento.

Na média, um bebê nasce pesando 3kg e ao final do primeiro ano, espera-se que ele pese ao redor de 10kg. Isso dá mais de 300% de aumento de massa. E olha que estou considerando um peso ideal, sem excesso de gordura. Você acha que algum adulto conseguiria algo parecido treinando?

Vamos deixar algumas coisas claras...

É óbvio que as condições ali são diferentes, e o ambiente orgânico é extremamente favorável a hipertrofia. Mas note que, em condições ideais, não é preciso o estímulo mecânico do exercício. E nesse contexto, os hormônios tem um papel absurdamente importante.

Segundo uma revisão publicada em 2010, não existe estímulo mais poderoso do que o oferecido pelos hormônios exógenos – aqueles que são aplicados, não os produzidos internamente – para produzir hipertrofia.

Entretanto, segundo os autores, os exercícios são uma maneira mais eficiente de se gerar o aumento da massa muscular, já que os hormônios exógenos, mesmo tendo um efeito mais significativo, estão associados a uma série de efeitos colaterais. Eles inclusive ilustram a ideia no esquema abaixo:

Alguém já testou isso na prática?

Sim. Em vários diferentes estudos. Vou colocar um que eu gosto muito pela simplicidade e inteligência da metodologia.

Em 1996 um grupo de professores investigou qual o poder da testosterona (enantato) e do exercício (musculação), de forma isolada ou combinada, em gerar aumento da massa muscular.

Foram criados 4 grupos experimentais que participaram do estudo por 10 semanas. Todos os indivíduos eram experientes e já praticavam musculação a algum tempo. O primeiro, fez musculação e tomou testosterona (600mg semanais). O segundo grupo também fez musculação, mas recebeu apenas a injeção de soro fisiológico. O terceiro e quarto grupos não se exercitaram, mas um recebeu a mesma dosagem de testosterona e o outro de soro fisiológico.

Só para se ter ideia de como a dosagem de testosterona foi significativa, ao final do estudo, quem tomou “bomba” tinha um nível de testosterona ao redor de 500pg/ml, enquanto quem não recebeu tinha valores de aproximadamente 80pg/ml (similares aos valores iniciais de todos os grupos)

E os resultados?

Agora vem a parte legal! É de se esperar que o grupo que associou esteroides e exercícios tenha apresentado a maior hipertrofia, e foi o que aconteceu. Também era esperado que o grupo que só recebeu soro fisiológico e não treinou, não apresentasse resultados, o que aconteceu também.

Porém, o interessante é que nos dois grupos que restaram (esteroide sem treino e treino sem esteroide) apenas o que usou testosterona apresentou hipertrofia muscular em todos os músculos avaliados.

Isso mesmo: quem não treinou e usou testosterona aumentou a massa muscular de forma mais significativa do que quem foi para a academia. E conseguiu isso assistindo TV em casa.

Finalizando...

Vamos a algumas considerações:

1. Não estou falando que treinar não resolve, mas acreditar que o treino tem um poder maior que uma dose alta de esteroides no processo de hipertrofia, é não entender de fisiologia.

2. Não estou fazendo apologia ao uso de esteroides (na verdade acho bem estúpido quem faz isso, mas cada um faz o que quer com seu corpo), até porque os efeitos colaterais a curto e longo prazo estão aí pra quem quiser ver.

3. Se ainda querem te convencer que os esteroides ajudam “só um pouquinho”, pede pra ele explicar porque atletas arriscam carreiras inteiras, contrato milionários e e uma vida, por algo que ajuda “só um pouquinho”. Valeria a pena?

4. Pra quem ainda tem dúvida sobre isso, recomendo assistirem o filme Ícaro. Tem no Netflix. É excelente e trata super bem sobre o assunto esteroides e performance.

E por favor, quem quiser mais informações é só entrar em contato ou comentar aí embaixo.

Grande abraço.

 

PS.: ah, e por favor, para de hipocrisia, ok? Se você está se entupindo de hormônio, não é o "treino top" que te deixou com esse corpo aí.

 

 

Referências:

Daniel W. D. West; Stuart M. Phillips, PhD, FACSM. Anabolic Processes in Human Skeletal Muscle: Restoring the Identities of Growth Hormone and Testosterone. THE PHYSICIAN AND SPORTSMEDICINE • ISSN – 0091-3847, October 2010, No. 3, Volume 38.

SHALENDER BHASIN, M.D., THOMAS W. STORER, PH.D., NANCY BERMAN, PH.D., CARLOS CALLEGARI, M.D., BRENDA CLEVENGER, B.A., JEFFREY PHILLIPS, M.D., THOMAS J. BUNNELL, B.A., RAY TRICKER, PH.D., AIDA SHIRAZI, R.PH., AND RICHARD CASABURI, PH.D., M.D. THE EFFECTS OF SUPRAPHYSIOLOGIC DOSES OF TESTOSTERONE ON MUSCLE SIZE AND STRENGTH IN NORMAL MEN. The New England Journal of Medicine. VOLUME 335 JULY 4, 1996 NUMBER 1.

Interação Fitness
Ricardo Martins de Souza
Ricardo Martins de Souza Seguir

Dr. em Educação Física, atua há mais de 20 anos no mercado. Ministra disciplinas de Fisio. Exercício e Biomecânica para graduação e pós na Ed. Física, Fisioterapia e Nutrição, além de ser proprietário de empresa de consultoria científica no setor.

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