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Corrida e dor lombar. Entenda!

Corrida e dor lombar. Entenda!


Em meu consultório é frequente a chegada de pessoas com a queixa de surgimento de dor lombar após correr certa distância. Seja atleta de longa distância ou mesmo um “corredor de parque”, a dor lombar aparece durante a corrida comprometendo a continuidade do treino.

O erro mais comum para a solução desta dor é a prescrição (óbvia e simplista) de fortalecimento da musculatura lombar.

Vamos entender o por quê:

“Correr é somente caminhar rápido”. NÃO! Há toda uma alteração biomecânica da marcha quando passamos da caminhada para a corrida (geralmente em torno de 7km/h). Entre elas, há uma diminuição de 35% do tempo de contato do pé com o solo, o aumento de 50% na força de reação vertical do solo e o aumento da amplitude de movimento da pelve em relação ao tronco.

Existe uma cadeia muscular na região de core (abdome, lombar, glúteo, assoalho pélvico) responsável diretamente pelo posicionamento e estabilização do tronco e da pelve durante a corrida. 

A anteversão pélvica é o posicionamento da bacia em posição fletida, com horizontalização do sacro e consequente acentuação da lordose lombar.

Ela ocorre em atletas com:

  • fraqueza abdominal;
  • fraqueza da cadeia muscular posterior;
  • encurtamento dos flexores de quadril (quadríceps e iliopsoas)

Nestes corredores há uma progressiva perda da estabilização do core durante a corrida, evoluindo para a anteversão pélvica. Isso leva à hiperlordose lombar, sobrecarregando as facetas articulares vertebrais – culminando em um quadro de lombalgia, conhecida como dor facetária. 

Estudos mostram que corredores que realizam menor extensão do quadril tem maior anteversão da pelve. Ora, sabemos que os multífidus são motores da anteversão pélvica e o glúteo máximo um estabilizador do movimento. Além disso, o encurtamento dos flexores de quadril causa uma limitação da sua extensão, fechando o ciclo-vicioso que leva à dor durante a corrida.

Qual a solução ideal, então?

Trabalhar de forma integrada:

  • fortalecimento da musculatura abdominal (principalmente reto e transverso);
  • fortalecimento de glúteos e ísquiotibiais;
  • alongamento dos flexores de quadril.

Espero ter ajudado!! 

Até o próximo texto. 

Interação Fitness
Antonio Krieger
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Médico ortopedista, especialização em Cirurgia da Coluna e Mestrado em Cirurgia. Atua na área de cirurgia minimamente invasiva e reabilitação de atletas. Praticante de CrossFit há 6 anos, certificado CF L1 e membro da comunidade CrossFit Health.

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