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PILATES X LOMBALGIA

PILATES X LOMBALGIA

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a lombalgia é uma condição que afeta mais de 80% da população mundial. É a segunda maior causa de procura por médicos e principal motivo de afastamento do trabalho por pessoas com menos de 45 anos.

A dor lombar tem caráter multifatorial e, em cerca de 85% dos casos, o diagnóstico não é definido. As principais causas da lombalgia, contudo, são:

  • Má postura;
  • Lesões musculares;
  • Sedentarismo;
  • Doenças ortopédicas e reumáticas;
  • Obesidade;
  • Fatores psicossociais (estresse, ansiedade, depressão);
  • Câncer;
  • Doenças degenerativas.

Para o alívio na fase de dor aguda, os médicos costumam indicar remédios e fisioterapia convencional. Em seguida, exercícios físicos orientados e reeducação postural. É importante dar a devida atenção e tratar qualquer alerta de dor lombar para evitar que o quadro se torne crônico e se agrave.

O Método Pilates é uma atividade física dinâmica e funcional que, através do controle, trabalha a integração mente/corpo, flexibilidade, força, equilíbrio e percepção corporal. Foi aplicado por Joseph Hubertus Pilates na reabilitação dos soldados lesionados durante a 1ª Guerra Mundial e se popularizou na década de 80.

O tratamento da lombalgia através do Pilates tem sido motivo de muitos estudos, pois, independente do diagnóstico, a dor lombar surge, normalmente, por causa da fraqueza da musculatura profunda/estabilizadora do tronco, que é o foco da prática do Método.

Rydeard et al., da Queen’s University, Canadá, sugere que os exercícios baseados no Pilates sejam mais eficazes que os utilizados comumente no tratamento da lombalgia. Maher, fisioterapeuta da Universidade de Sidney, Austrália, concluiu em suas pesquisas que o exercício é um dos tratamentos mais eficientes para esta disfunção a longo ou curto prazo. Embora recomende que o Pilates seja mais estudado, os exercícios descritos como mais eficientes seguem os princípios do Método, como fortalecimento dos músculos multífidos e transverso abdominal associados à respiração, além de progressão conforme as características do paciente.

A ativação do powerhouse (core) - centro de força composto pelos músculos diafragma, flexores e extensores da coluna, flexores e extensores dos quadris e músculos do assoalho pélvico - associada à respiração, é a essência da execução dos exercícios de Pilates. Seu criador afirmava que através da coordenação da mecânica respiratória do diafragma em sinergia com os músculos do powerhouse, principalmente o transverso abdominal, multífidos e períneo, promove o fortalecimento do “cilindro de estabilidade do tronco”.

Donzelli et al., do Departamento de Medicina Física e Reabilitação de Milão, comparou Pilates com exercícios do protocolo da Escola de Coluna e concluiu que ambos são eficientes no tratamento da lombalgia. Houve diferença, porém, quanto à satisfação do paciente com a prática:

61% dos participantes do grupo de Pilates se declararam muito satisfeitos, contra 4,5% no grupo da Escola da Coluna.

Este é um dado muito importante, visto que a adesão a qualquer atividade depende muito do prazer promovido pela mesma.

Dificilmente o Pilates é contraindicado nos casos de lombalgia, mas cuidados devem ser tomados e as devidas adaptações aplicadas ao repertório de exercícios. Laurie Mallery, chefe da divisão de Medicina Geriátrica na Universidade de Dalhousie, afirma que a maioria dos pacientes, que são proibidos de participar de programas de exercício convencionais, poderiam realizar os exercícios do Pilates, pois os mesmos podem ser sugeridos no ritmo de cada um, com progressão proporcional ao desempenho apresentado. Nos estudos analisados, mesmo quando foram realizadas adaptações nos exercícios e nos 6 princípios básicos do método Pilates - como centralização e respiração diafragmática - os resultados foram positivos.

Através da prática do Pilates, portanto, é possível aliviar as dores lombares, já que os fundamentos e princípios do Método, quando bem aplicados, promovem equilíbrio muscular através do trabalho bilateral e simétrico; flexibilidade, fortalecimento do powerhouse; fortalecimento da musculatura profunda; melhora da mobilidade e estabilidade; melhora do sono e até aumento do QI e melhora da postura.

Vale ressaltar que o diagnóstico médico é de suma importância. Identificar a causa da lombalgia é o primeiro passo para a reabilitação através do Pilates ou de qualquer outra forma de tratamento.

Até a próxima!

Interação Fitness
Luiza Queiroga
Luiza Queiroga Seguir

Fisioterapeuta, sócia do Hama Pilates e Neopilates.

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