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Esporte & Pilates: A Combinação Perfeita

Esporte & Pilates: A Combinação Perfeita

Muitos profissionais da elite esportiva buscam o Pilates para complementar sua atividade, mas atletas de fim de semana também podem sentir seus benefícios. Muitos desses clientes chegam aos studios com lesões acompanhadas, ou não, de alguma dor aguda ou crônica, outros buscam o Pilates como uma compensação para sua atividade esportiva.

O Pilates trabalha o core, aumenta força e flexibilidade ao mesmo tempo, e melhora a postura, a estabilidade e o alinhamento. O Método também enfatiza total concentração no movimento fluido e respiração adequada.

Quem pratica se torna muito mais consciente de como seu corpo se sente, onde se posiciona no espaço e é capaz de perceber a melhor forma de controlar seu movimento.

Seja atleta de elite ou de lazer, o objetivo desse público é sempre ter possibilidades físicas para continuar a praticar o esporte em questão. Cabe ao instrutor buscar o conhecimento para atender esse cliente, bem como fazê-lo entender o quanto o comprometimento e disciplina dele em relação ao Pilates vão ajudá-lo. Assim, compartilhando as responsabilidades, você terá um cliente confiante e assíduo.

Com uma sessão avulsa de Pilates é possível obter respostas agudas importantes, mas com o passar do tempo, o corpo responde a repetidos atendimentos com uma adaptação crônica ao exercício. Ao praticar regularmente o Pilates ao longo de um período de dias ou semanas, corpo e mente sentem os efeitos desse treinamento.

As adaptações fisiológicas que ocorrem com a exposição crônica ao Método melhoram tanto a capacidade, quanto a eficiência no esporte, pois a execução de movimentos com qualidade e sem compressões vai se tornando mais natural à medida que se repete nos atendimentos. 

O desenvolvimento do power house torna os atletas mais ágeis, ajuda a prevenir lesões e aumenta o desempenho esportivo. Recentemente, uma ênfase significativa tem sido dada a exercícios de estabilidade e de força do “core”, centro do corpo. Fortalecer o core está na moda e existem várias opiniões sobre quais músculos fazem parte desse grupo. O consenso geral é de que o grupo é formado pelos músculos do tronco que circundam a coluna e as vísceras abdominais.

No Pilates, que já foi chamado de contrologia devido à importância dada ao centro, chamamos de power house esse conjunto de músculos que sustentam a coluna, os órgãos internos e a postura formando um cilindro de estabilidade ao redor da cintura. Na nossa prática buscamos o trabalho da musculatura mais profunda desse cinturão e obtemos ótimos resultados.

Um power house treinado é fundamental em termos de desempenho, funcionalidade e longevidade. Um tronco estável e eficiente permite que o esqueleto, os músculos e as articulações atuem juntos de maneira apropriada. Ao manter um power house forte, proporcionamos suporte ideal. Aliás, esse conjunto de músculos é tão essencial para o movimento global do corpo que é recrutado sempre que os membros se movem. 

Inicialmente, o treinamento físico com foco no core foi explorado na reabilitação, em especial para o tratamento de dores na coluna lombar, mas seus benefícios também são reconhecidos no desempenho esportivo. Maior estabilidade do tronco proporciona uma base para maior produção de força e transferência de força para as extremidades. 

Pesquisas também demonstram que um power house eficiente diminui a probabilidade de lesão, especialmente na parte lombar da coluna e nos membros inferiores, durante a prática esportiva. A explicação fisiológica para essa descoberta é que o treinamento de estabilidade do core aumenta a sensibilidade dos fusos musculares, permitindo assim um maior estado de prontidão para a sobrecarga articular durante o movimento, protegendo o corpo de lesões. Os diferentes tipos de treinamento de estabilidade e de força do power house incluem equilíbrio, instabilidade e a respiração. 

Outro fator importante a ser observado nos clientes “atletas” é o excesso de ativação da musculatura superficial. Normalmente esse público apresenta hiperprogramação dos músculos primariamente responsáveis pelo movimento e essa ativação demasiada faz com que músculos menores, acessórios, profundos fiquem inativos e cada vez mais fracos.

Cabe salientar, que a musculatura profunda é a maior responsável pela estabilidade de determinada articulação. Portanto, em caso de fadiga da musculatura primária, é de extrema importância que a musculatura profunda consiga agir. Para isso, é preciso trabalhar a qualidade do movimento, com baixas cargas, em movimentos funcionais e livres de compressão. Treinar a percepção corporal do atleta acelera o processo e melhora a eficácia desse trabalho.

Para melhor escolha do repertório de exercícios do Pilates ou de qualquer outra atividade personalizada, devemos estar atentos a cinco princípios já mencionados em outro texto:

  • Princípio da Individualidade;

  • Princípio da Especificidade;

  • Princípio da Reversibilidade;

  • Princípio da Sobrecarga Progressiva;

  • Princípio da Variação (ou periodização).

As principais lesões com as quais temos que lidar são musculares, ligamentares e articulares. Os esportes mais comumente praticados pelos nossos clientes são: corrida, futebol, natação, tênis/beach tennis, crossfit, dança, ciclismo e golf.

É de suma importância estudar a biomecânica da atividade do seu cliente e, se possível, experimentar o esporte no próprio corpo para entender o aluno e fazer as melhores escolhas no repertório de exercícios do Pilates.

Viu só como esporte e pilates dão o match perfeito? Até a próxima.

 

*Os textos produzidos pelo colaborador não expressam, necessariamente, a opinião dos outros participantes da comunidade, sendo 100% de responsabilidade do autor.

Interação Fitness
Luiza Queiroga
Luiza Queiroga Seguir

Fisioterapeuta especializada em ortopedia, traumatologia e desportiva, co-founder do Hama Pilates.

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