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Treinamento Físico Remoto: Há motivos de preocupação?

Treinamento Físico Remoto: Há motivos de preocupação?

Este período de pandemia nos mostrou que estávamos pouco preparados para mudanças drásticas em nosso cotidiano. Reestruturar nosso estilo de vida demandou coragem e resiliência. E ainda há mais por vir.

Destas mudanças, novas estratégias nasceram o que, provavelmente, mudou e continuará a impactar a vida de todos. A prática remota é uma delas.

Particularmente, apesar de sentir falta do contato presencial com meus alunos, clientes, colegas e amigos, não pegar trânsito e poder brincar com meus filhos imediatamente após sair de um ambiente virtual, não tem preço.

A prática remota é também uma realidade para os praticantes de exercício.
Muito foi mudado, principalmente para aqueles que já tinham a cultura do exercício, pois para estes, ficarem parados não é uma opção. Neste sentido, observa-se um incrível movimento de praticantes tentando manterem-se ativos.

Mais pessoas estão interessadas na prática de exercícios durante a pandemia

Um levantamento da BTG Pactual de 2020 sobre os impactos econômicos da pandemia evidenciou um aumento de 291% no volume de downloads dos 3 principais aplicativos de exercício físico até abril. O mesmo levantamento averiguou aumento nas pesquisas pelo Google por Halter e elásticos em até 100%, o interesse por colchonetes aumentou 82% e as pesquisas sobre aluguel de esteiras aumentou 572%.

No meu post anterior apresentei dados sobre o aumento da prática de exercícios físicos na Pandemia, isso mesmo, as pessoas estão se exercitando mais. Em uma primeira observação há uma certa empolgação. As pessoas estão se tornando mais conscientes da importância do exercício físico em suas vidas.

Pois bem, tudo possui dois lados.

Acostumado às observações imparciais, uma pergunta surge: Podemos afirmar que o aumento significativo destes indicadores de prática de exercícios físicos estão sendo feitas de forma orientada por profissionais de Educação Física? Creio que não. Isso sim é preocupante.

As definições clássicas concentram-se em afirmar que o “Exercício Físico caracteriza-se pela situação que retira o organismo de sua homeostase” (BRUM, 2004, p. 21). Contudo, Treinamento Físico “caracteriza-se por um processo repetitivo e sistemático, composto por exercícios progressivos que visam o aperfeiçoamento do desempenho” (ROSCHEL; TRICOLI; UGRINOWITSCH, 2011, p. 53).

Ou seja, o treinamento físico é composto por sequências de exercícios, sistematizados, orientados com uma progressão racional onde o acúmulo dos mesmos gerará as adaptações desejadas. E acredito que a preocupação esteja aí.

O compartilhamento massivo de diversas formas de exercícios na internet disponibiliza acesso para todos, praticantes avançados e iniciantes, contudo sem supervisão ou orientação profissional.


Obviamente, muitos são os profissionais e aplicativos que disponibilizam exercícios nas plataformas virtuais, ensinam as movimentações corretas, dividem em “fácil”, “médio” e “difícil”, “iniciante”, “intermediário” e “avançado”, bem como os melhores tipos de exercício para cada qualidade física.

Contudo, vimos que o objetivo do exercitar-se são as adaptações geradas somente com a prática constante, orientada, de exercícios variados, controlados em intensidade e volume, disponibilizados em uma sequência lógica a médio e longo prazo, ou seja, com o treinamento.

Assim, acompanhar séries de exercícios que não fazem sentido com o que foi feito antes, nem com o que será feito depois, pode a médio e longo prazo, não satisfazer o praticante em relação à seus objetivos, ou mesmo gerar lesões.

Percebam que além disso, esta abertura dada pela internet também possibilita que famosos, que não são profissionais de Educação Física, disponibilizem seus  “treinos”. Felizmente a atuação dos Conselhos Regionais é precisa nestes casos.

Contudo, observo aqui a necessidade de controles mais rígidos por parte dos profissionais de Educação Física que disponibilizam seus exercícios em suas plataformas virtuais.

Suas sugestões e dicas, ou seja, sua ação profissional virtual precisa continuar, contudo, de uma forma mais racional, onde haja uma sequência diária, semanal de ordem lógica nas variáveis de intensidade e volume, na variabilidade de estímulos e na sequência de qualidades físicas.

Será que a contratação de um Personal Training seja a única maneira disso acontecer? Acredito que não. Contudo, o acompanhamento do profissional de Educação Física para uma vida ativa será sempre necessário.

 

*Os textos produzidos pelo colaborador não expressam, necessariamente, a opinião dos outros participantes da comunidade, sendo 100% de responsabilidade do autor.     


Referências:
BARBANTI, Valdir José; TRICOLI, Valmor; UGRINOWITSCH, Carlos. Relevância do conhecimento científico na prática do treinamento físico. Revista Paulista de Educação Física, v. 18, n. 8, p. 101-109, 2004.

BRUM, Patrícia Chakur et al. Adaptações agudas e crônicas do exercício físico no sistema cardiovascular. Rev Paul Educ Fís, v. 18, n. 1, p. 21-31, 2004.

ROSCHEL, Hamilton; TRICOLI, Valmor; UGRINOWITSCH, Carlos. Treinamento físico: considerações práticas e científicas. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 25, p. 53-65, 2011.

Interação Fitness
Thiago Pimenta
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Graduação Educação Física-UNESP Graduação Pedagogia-Uninove Especialização Esporte Escolar-Unb Mestrado Sociologia-Ufpr Doutorado Ciências da Motricidade-Unesp

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